Têm Um Dragão No Meu Quintal Parte IV

Louise e o Dragão

     [...] O silêncio envolvia ambas num sono hipnótico, cortado somente pelos soluços da menina de olhar triste e pelo resfolegar pesaroso e gelado de Louise; ela não sabia o que fazer, não sabia como ajuda-la.

     Bruscamente, a menina parou de soluçar. Ela agora se recompunha e encarava Louise com um olhar altivo. A menina tinha uma beleza exótica, até mesmo selvagem. Seus lindos cabelos negros e olhos azuis contrastavam com a alvura de sua pele. Ela olhou para o céu novamente, e falou:

     - Era esse o seu plano desde o começo, não era? Forçar-me a se entregar a você, como um troféu. Pois que seja assim, mas lhe juro que irá arrepender-se deste dia Kuu!

     Ela olhou para Louise, agora encolhida e assustada diante de voz tão ameaçadora e vingativa. A expressão da garota, antes de raiva, suavizou-se para um leve pesar.

     - Sinto muito Louise. Mas você é a única que pode salvar nossa aldeia. Simplesmente faça o que eu disser. Você terá de confiar de confiar em mim. Você sabe quem eu sou, não sabe?

     - Eu nunca vi você na aldeia antes. Você é cigana, uma estrangeira?

     O pesar transformou-se num sorriso triste, quase mórbido. Tudo continuava silencioso, como se a natureza estivesse prendendo a respiração diante daquele evento. Nem mesmo a brisa ousava sussurrar no ouvido de uma das duas.

     - Eu sou Mayae, a guardiã de nosso povo. Infelizmente, desta vez não há nada que eu possa fazer para ajudar, mas você pode.

     - Como eu...? - Ela não conseguia ao menos formular perguntas racionais. Tudo girava num turbilhão de "porquês" e "comos";

     - Você tem de me escutar, Louise. Eu sei quem está acabando com as plantações e raptando pessoas. É Damhizer, o mesmo dragão que fez isto alguns séculos atrás. Eu não conseguirei impedi-lo porque ele não me escuta mais. Para passar meus poderes à você, terei de deixar a Terra e voltar para a Lua, portanto você estará por sua própria conta. Depois que eu for embora, simplesmente siga sua intuição, este é meu maior poder, e então você saberá o que fazer. Só aviso-lhe que você terá de fazer Damhizer confiar em você. É o único jeito de ele escutá-la. Nós lutamos e eu o feri. Cuide dele e ele confiará em você. Isso é tudo Louise e, tendo você conseguido ou não, tudo estará acabado ao nascer do Sol.

     Mayae fechou os olhos. Respirou fundo. Sorriu. E então começou a desmanchar-se. Pareciam vários fios de barbante reluzentes, brilhantes como prata e finos como teias de aranha. Os fios não estavam se dissipando no ar, mas formando um redemoinho de brancura em volta de Louise. Os fios eram frios. Gelados como uma lâmina que recebeu orvalho toda a madrugada. Louise começou a entrar em pânico, os fios apertavam-na cada vez mais, deixando-a claustrofóbica. E então, tão repentinamente quanto começou, acabou. Louise não sentia nada de diferente, mas algo lhe dizia que ela deveria ir até o quintal de casa. 

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Esconderijo

Janelas fechadas,
portas trancadas;
tudo começa a tremer.

Pensamento Alto


     Acho que o mundo nada mais é do que um laboratório gigante onde nós somos, ao mesmo tempo, os cientistas e os experimentos. A sociedade, é nossa prova final; nosso "vestibular" diário. E a vida, nosso professor e também nossa sala de aula; 
     Posso não ter aprendido muita coisa em História, Geografia ou Física; mas aprendi coisas que também são muito importantes em minha vida:

- a diferença entre promessa e compromisso;
- entre sinceridade e hipocrisia;
- entre realismo e pessimismo;
- entre ter afeição e ter pena;
- entre medo e covardia;
- entre justiça e vingança;
- entre colega e amigo;
- entre amor e paixão;

Acredite, estas pequenas diferenças, fazem a diferença!

A. Lopes
23+02+2012

Tudo

Todo tempo é tempo.
Todo dia é dia.
Todo sonho é sonho.